A Taberna: Literatura, música, Artes Plásticas e um espectro que ainda ronda as Américas, a Africa, o mundo...o espectro da liberdade e igualdade para a maioria. O espectro da nossa realidade de amanhâ. Esse futuro só depende de nós. Uni-vos. Eis tudo.

Sábado, Novembro 07, 2009


Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio 2009 - Resultado

Iara Maria Carvalho é a única norte-rio-grandense entre os 15 vencedores. Mais de 2.000 contos foram inscritos.


A Secretaria de Estado da Cultura e a Comissão Julgadora, constituída por MARINA COLASANTI E MIGUEL SANCHES NETO, FLOR DE MARIA SILVA DUARTE, apresentam os quinze vencedores do Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio – 2009.
Os contos premiados foram:

Em primeiro lugar: inscrição nº : 1055
Autor: Marcus Vinícius Couto Rodrigues - Salvador - BA
com o conto: A omoplata

Em segundo lugar: incrição nº: 397
Autor: Douglas Kim - São Paulo - SP
com o conto: O homem envolveu a menina com o braço direito

Em terceiro lugar: inscrição nº: 466
Autor: Walther Moreira Santos - Vitória de Santo Antão - PE
com o conto: Uma esperança

A seguir, respeitando a ordem alfabética do nome dos autores, foram indicados os contos para menção honrosa:

Inscrição nº: 106
Autor: Ana Cláudia Costa Santos - Porto Alegre - RS
Conto: Açucar

Inscrição nº: 375
Autor: Bárbara Lia - Curitiba - PR
Conto: Mulher na árvore

Inscrição nº: 670
Autor: César Américo Barreira Cardoso - Rio de Janeiro - RJ
Conto: Caro Poeta Arnaldo Antunes

Inscrição nº: 1626
Autor: Edison Lotério - Rio Claro - SP
Conto: O latido dos cães

Inscrição nº: 1529
Autor: Fabiana Motta Tavares - Brasília - DF
Conto: Dezembro de 2002 – Aeroporto Internacional de Brasília

Inscrição nº: 1627
Autor: Henrique Fagundes Carvalho - Belo Horizonte - MG
Conto: Mater dolorosa

Inscrição nº: 1793
Autor: Iara Maria Carvalho - Currais Novos - RN
Conto: Alvíssima

Inscrição nº: 170
Autor: Lucas Jerzy Portela - Salvador - BA
Conto: Os galos

Inscrição nº: 066
Autor: Patricia Lopes Gonçalves - São Paulo - SP
Conto: Disnêilandia

Inscrição nº: 1609
Autor: Ricardo Morales Brum - Porto Alegre - RS
Conto: Terminal Tiête

Inscrição nº: 305
Autor: Silvia Rodrigues da Costa - Ponta Grossa - PR
Conto: “Dej@vu”

Inscrição nº: 664
Autor: Zelinda Rosa Scotti - Curitiba - PR
Conto: O bordado

Quinta-feira, Outubro 08, 2009


Convite

O Grupo Casarão de Poesia, após três anos de atuação na comunidade
currais-novense, afirma o anseio de tornar ainda mais sólidos seus
propósitos culturais, e inaugura o Casarão, um espaço destinado à
realização de atividades voltadas para a comunidade local. Na ocasião,
será aberto o Ponto de Leitura, premiação concedida pelo Ministério da
Cultura ao Grupo Casarão, que implantará na região as metas e ações da
Biblioteca Viva. Participe conosco desta inauguração e diga SIM à
nossa cultura, à arte, à vida!
PROGRAMAÇÃO: *Grupo Casarão de Poesia * Grupo Caçuá de Mamulengos *
Cordel do Pau Quebrado * Wescley J. Gama * Orquestra de Violões do
Seridó Oriental * Grupo Brocoió *
LOCAL: Casarão de Poesia, Rua Lula Gomes, 409, Centro, Currais Novos/RN
DATA: 10 de outubro de 2009, a partir das 16h.

"Tudo no mundo começou com um sim" (Clarice Lispector)

Quarta-feira, Setembro 23, 2009


arrulho de pássaros,
estrada ensombrada.

existo nas frestas da luz.

Wescley J. Gama

Sábado, Agosto 08, 2009




PONTO DE LEITURA


O Grupo Casarão de Poesia ainda encontra-se em estado de êxtase com o recebimento de uma premiação do Ministério da Cultura. Somos agora PONTO DE LEITURA Casarão de Poesia! O kit é composto por 650 livros, 100 gibis da Turma da Mônica, 2 estantes, 3 puffs, almofadas, cadeira, mesa, computador, impressora e mapas.

Após a chegada desta premiação, o Grupo se sentiu instigado a, finalmente, ter a sua sede, o CASARÃO DE POESIA. Ainda estamos preparando o ambiente, mas, com a sua inauguração, dispomo-nos a inflamar a efervescência cultural que tanto desejamos para a nossa querida região do Seridó.

Expectativas de atividades para esse semestre:

· Rodas de leitura;

· Continuidade das tradicionais Noites de Poesia;

· Café com Poesia;

· Encontro com o autor;


· Mini-cursos e oficinas.

Quarta-feira, Junho 03, 2009


Um grão de areia que voa no vento
é um planeta que desaparece
ao estrondo
cataclismático
de uma colisão:

qual o tamanho da tua lua?

Wescley J. Gama

Quinta-feira, Maio 07, 2009


Lar literário cresce no sertão do seridó

Grupo Casarão de Poesia floresce em Currais Novos e abre as portas para a literatura potiguar

Eles não se preocupavam com o clima, com o ambiente ou com o horário, só queriam manifestar a paixão incondicional pela literatura. Os encontros cada vez mais instigantes e a vontade de expressar a palavra fizeram com que Wescley J. Gama, Iara Carvalho, Elina Carvalho, Luma Carvalho e Paula Érica fundassem o Grupo Casarão de Poesia. Nome assim batizado devido aos encontros informais entre esses amigos num antigo casarão do Campus da UFRN na cidade de Currais Novos, no interior do Rio Grande do Norte.
Segundo Iara Carvalho, uma das mais importantes poetizas da região, as raízes desse movimento se encontram em 2006. Desde esse ano, eles passaram a ter consciência de que a missão ultrapassava a amizade. “O nosso amor pela Poesia seria capaz de florescer cactos e enfeitar de sensibilidade esses Currais esquecidos de cultura”, diz o texto de nascimento do Casarão.
A partir daí, separações e esquecimentos foram banidos do dicionário desse grupo e nada mais seria capaz de impedir o crescimento e a expansão dos movimentos literários. Prova disso é que do Casarão, poetas já foram premiados e homenageados, como Wescley Gama, vencedor do 4º Concurso de Poesia Zila Mamede, realizado em 2008. Nessa edição, foram 96 inscritos de mais de 15 municípios do Estado e o poeta currais-novense conseguiu se destacar. No ano anterior, aliás, o primeiro lugar ficou com a própria Iara, esposa de Wescley.
Dessa maneira, o visível destaque que os poetas currais-novenses têm recebido traduz o considerável respeito adquirido no cenário intelectual norte-rio-grandense, tanto através das premiações como nos numerosos convites para apresentações. “Esses reconhecimentos demonstram que a poesia de Currais Novos está no caminho certo”, afirma Wescley Gama.
Por sinal, a grande expectativa do Casarão é a de se tornar uma ONG, o que, sem dúvidas, facilitará os investimentos de capital privado e público, já que o fato de atuarem informalmente traz inúmeras limitações, como a participação em editais de cultura e em programas sociais. Entretanto, Iara Carvalho deixa claro que “o pouco que conseguimos, seja um brilho nos olhos de uma criança ou o sorriso tímido de um idoso, já é para nós um grande presente”.

Noites de poesia

As chamadas “Noites de Poesia” engrandecem o trabalho desses amigos poetas. Diz respeito a encontros bimestrais com apresentações musicais, recitais livres e performances poéticas, onde “corpos e vozes se misturam num universo lúdico e interativo de versos falados e cantados lançados ao mundo”, completa Luma Carvalho.

Ponto de Leitura

No final de 2008, o Ministério da Cultura abriu o Edital do Ponto de Leitura – Edição Machado de Assis – com o objetivo de premiar iniciativas culturais já existentes que estivessem interligadas a prática da leitura. O grupo resolveu se inscrever e acabou tendo o reconhecimento que desejavam. Tornar-se um Ponto de Leitura significa receber recursos financeiros do Governo Federal, afim de maximizar a propagação dos trabalhos e acrescentar o acervo já existente. O Casarão será agraciado com cerca de 500 livros, além de gibis doados por Maurício de Sousa, e todo o mobiliário básico para o funcionamento da sala de leitura - computador, mesa, cadeira, pufs, almofadas, estantes, etc. A partir dessa conquista, a expectativa gira em torno do funcionamento do Ponto de Leitura Casarão de Poesia na parte de trás da Fundação Cultural "José Bezerra Gomes", numa sala muito aconchegante rodeada de plantas e céu sertanejo.

Mídia

A necessidade de colocar o grupo em contato com outras possibilidades de interação com o mundo torna-se cada vez mais apurada. Essas alternativas vêm se manifestando através da criação de blogues e informativos, das apresentações Noites de Poesia, da participação do grupo em eventos externos e das divulgações realizadas por importantes veículos municipais e estaduais, como rádios, programas de TV, jornais e revistas. O trabalho do Casarão ainda pode ser acompanhado através do endereço www.casaraodepoesia.blogspot.com.


Maríllia Graziella

Terça-feira, Abril 07, 2009


dia desses,
à noite,
descobri um céu
intenso e estrelado
e uma sensação me transpassou
como um rio profundo:

não estamos sozinhos
na liquidez deste planeta,
vivemos lado a lado (coração a coração)
com os outros

como essas roupas que dormitam
no varal tranquilo do meu quintal.

wescley j. gama

Sábado, Março 21, 2009


1º FÓRUM DE CULTURA CURRAISNOVENSE

TEMA – Novos rumos da cultura curraisnovense: consolidando ideias e práticas através de políticas culturais cidadãs

2º DIA DA POESIA EM CURRAIS NOVOS

TEMA – Os frutos poéticos de Luís Carlos Guimarães


APRESENTAÇÃO

A realização conjunta do 1º Fórum de Cultura Curraisnovense e do 2º Dia da Poesia em Currais Novos representa um momento significativo para os artistas e produtores culturais deste município com cerca de 42 mil habitantes cujo acesso a bens culturais é tão limitado e limitante. Isso porque, apesar desta "Princesa do Seridó" possuir uma tradição cultural muito forte, com nomes que até hoje ressoam de forma positiva no cenário potiguar, ainda é muito restrito o tratamento dado às manifestações culturais que hoje se edificam sobre este solo seco, mas precioso.
Discutir os novos rumos da cultura curraisnovense é pensá-los alicerçados sobre um tempo histórico em que Currais Novos foi referência nas artes cênicas, através da atuação do Grupo Teatral Boca de Rua e hoje é dinamizada, do centro às periferias, com o riso sarcástico dos bonecos do Grupo Caçuá de Mamulengos. Na literatura, é inestimável o legado de José Bezerra Gomes e Luís Carlos Guimarães, ainda presentes na poesia e nas performances do Grupo Casarão de Poesia. Impossível não reverenciar também os artistas plásticos desta terra, como os escultores Chico Santeiro, Luzia Dantas e Ivan do Maxixe, além dos que se dedicam às tintas, pincéis e telas, de Iran aos herdeiros de João Antônio. Esta trama cultural arquitetada sobre a terra do algodão enredou-se por gerações a fio, basta que se admire a voz de Jarlene Maria reinaugurando as melodias de Suetônia Batista, em cuja sala de música brotam os sons e ritmos do Grupo de Choro Cangaia e da Orquestra de Violões do Seridó Oriental.
Diante de tamanha diversidade cultural, o 1º Fórum de Cultura Curraisnovense e o 2º Dia da Poesia em Currais Novos se propõem a oferecer um lugar digno para a voz daqueles que, em um cotidiano muitas vezes hostil a manifestações culturais de qualidade, necessitam unir esforços em prol de políticas públicas democráticas e cidadãs. Para isso, os organizadores do evento contam com o apoio significativo de entidades públicas e privadas que, por sua iniciativa, demonstram respeito à comunidade curraisnovense. Que esse encontro possa contribuir para suscitar debates, encaminhar práticas e sensibilizar corações para um dos mais completos mecanismos de transformação da sociedade: a cultura.


PROGRAMAÇÃO

27 de março


TARDE


LOCAL: Escola Municipal Cipriano Lopes Galvão (Povoado Totoró)
HORÁRIO: a partir das 14h
ATIVIDADES:
Exposição "Os Frutos de Luís Carlos"
Performance Poética do Grupo Casarão de Poesia
Apresentação do Grupo Amantes de Machado de Assis
Recital livre


NOITE


LOCAL: Auditório do SINTE
HORÁRIO: a partir das 19h
ATIVIDADES:
Apresentação do cordelista Antônio Francisco (Mossoró)
Palestra: O Plano Nacional de Cultura como instância articuladora das políticas culturais
Palestrante: Fábio Lima (Coordenador adjunto da Fundação José Augusto)


28 de março


MANHÃ


LOCAL: Feira livre (ao lado do Mercado Público)
HORÁRIO: a partir das 6h30min
ATIVIDADES:
Interação poética com o Grupo Casarão de Poesia
Apresentação do Grupo Caçuá de Mamulengos
Exposição de cordéis


TARDE


LOCAL: Auditório do SINTE
HORÁRIO: a partir das 14h
ATIVIDADES:
Apresentação da Orquestra de Violões do Seridó Oriental
Plenária para elaboração de uma carta ao poder público e planejamento da 1ª Conferência Municipal de Cultura
Debatedores: Odon Jr, Ronaldo Gomes e Wescley Gama
Coordenação: Vilma Nunes


NOITE


LOCAL: Rua da Platina, Bairro JK (em frente ao Beradêro)
HORÁRIO: a partir das 20h
APRESENTAÇÕES (acompanhadas de recitais livres)
Grupo de Choro Cangaia
Grupo Teatral Arte Viva (Santa Cruz)
Cordel do Pau Quebrado
Wescley & Érica
Banda Radiola de Ficha

Terça-feira, Fevereiro 17, 2009



ENTREVISTA

Wescley J. Gama é seridoense de Currais Novos e faz parte da nova geração de poetas que descende de Luíz Carlos Guimarães e José Bezerra Gomes. Vencedor de dois concursos poéticos nos últimso anos, Wescley Gama integra um grupo poético chamado Grupo Casarão de Poesia, que vem espalhando versos pelas ribeiras do Seridó.
-
Entrevista: Alexandro Gurgel (para o jornal O Mossoroense)


Como surgiu o gosto pela poesia?

Sempre gostei de ler. Quando criança mergulhava profundamente nas viagens das revistas em quadrinhos e de livros como As mil e uma noites, além de muita literatura de cordel. Essas leituras me arrebatavam para um mundo totalmente diferente, uma experiência verdadeiramente transformadora. Já na adolescência, descobri o trabalho de poetas como Ferreira Gullar, Manoel de Barros e Mário Quintana, que me deram uma visão de mundo mais ampla e lírica.

Qual o sentimento de ser considerado um poeta?

É meio estranho, porque essa condição pode trazer paradoxalmente um misto de veneração e desdém por parte da sociedade. O que sinto, na verdade, é que posso interagir com as pessoas através da poesia e provocar, quem sabe, uma reflexão sobre a natureza das coisas, ou sobre as dificuldades que enfrentamos nesse mundo pós-pós-moderno.

Quais suas influencias literárias e quais os poetas que estão marcando sua carreira? Por que?

Acredito que um bom poeta deve questionar e denunciar quando for preciso, apontar a beleza onde outros veem caos apenas, mas principalmente tem que chegar perto do coração das pessoas, transmitir uma sensação, cativar a atenção, e, quem saber, ajudar a transformar suas vidas, mesmo que seja num pequeno grau. Leio muita coisa que chega às minhas mãos, Drummond, Ferreira Gullar, Neruda, Mário Quintana, Iracema Macedo, Iara Maria Carvalho, Wally Salomão, Chacal, dentre muitos outros. Gosto muito de ler romances e contos de Gabriel Garcia Marquez, Machado de Assis, Hermann Hesse, Caio Fernando Abreu, Jorge Luís Borges, Júlio Cortazar, MarcelinoFreire.

De que maneira você recebe os prêmios como vencedor de concursos de poesia?

Não deixa de ser um reconhecimento do trabalho, além de um estímulo à produção de um poeta iniciante. Fiquei muito surpreso e grato com os prêmios e espero lançar o primeiro livro em breve, Poemas encharcados de sertão.

O ato de escrever versos é mais inspiração ou mais trabalho em busca das palavras e rimas?

Quando a inspiração vem, você tem que estar preparado. Tem que ler muita literatura para tentar apreender um pouco do que o mundo oferece através do que é visível, palpável. Assim criamos nossa leitura do mundo e damos nossa contribuição de alguma forma.

Afinal, para que serve a poesia?

Ela não tem necessariamente que servir para alguma coisa. A poesia é. Observemos que ela está presente na história da humanidade desde os primórdios da escrita. Será que uma obra como Os Lusíadas não ajudou, mesmo que de forma ínfima, a consolidar a unidade da língua em Portugal, há centenas de anos? Será que Dom Quixote não fez o mesmo no Reino de Espanha? Acho que a poesia pode tirar você de uma letargia, convocar você a contribuir com um pensamento, uma iluminação, por menor que seja. A poesia me ajuda a viver melhor, me dá um sentido a mais pra viver.

Como você o atual momento da poesia potiguar?

Há uma nova geração de poetas potiguares. Mas só dá pra ter uma idéia melhor de uma geração ou de um movimento quando eles passam ou envelhecem. Então você olha de longe e vê os estragos que ela fez (risos).

A que você atribui esse crescente movimento poético em Currais Novos?

Todos já sabem que Currais Novos já tem uma trajetória nesse campo. Luís Carlos Guimarães e José Bezerra Gomes deixaram uma contribuição significativa para poesia potiguar, este a partir da década de 30 e Luís Carlos a partir da década de 60. O que posso dizer sobre o atual momento poético em Currais Novos é que um grupo de amigos vem se dedicando a utilizar a poesia como instrumento de interação com as pessoas. Um exemplo disso é o Grupo Casarão de Poesia, que teve vários de seus membros e amigos premiados nos concursos Zila Mamede e Luís Carlos Guimarães. E olhe que a lista é grande: Iara Maria Carvalho já foi 2º e 3º Lugar no Concurso Luís Carlos 2006 e 2007 e 1º lugar no Zila Mamede 2007, Luciene Danvie, menção Honrosa no Zila Mamede 2008, Adélia Danielli, 3º lugar no Zila Mamede 2008, Luciana Maria Carvalho, menção honrosa no Luís Carlos 2008, Théo G. Alves, 3º lugar no Luís Carlos 2008. Eu fiquei em 1º Lugar no Concurso Zila Mamede 2008 e Luís Carlos Guimarães 2007.

Quais os poetas potiguares de relevância que merecem destaque?

Da curta história de pouco mais de cem anos da poesia potiguar, acho que devem ser lidos Auta de Souza, Ferreira Itajubá, Othoniel Menezes, Zila Mamede, Jorge Fernandes, Nei Leandro de Castro, Moacy Cirne, Luís Carlos Guimarães, Iracema Macedo, Antônio Francisco, dentre muitos outros com os quais cometo agora o pecado de deixar de fora da lista por falha de memória.

Atualmente a chamada "literatura eletrônica" é uma realidade. Em sua opinião, que importância os blogs e os sites possuem com temas literários ou culturais?

Os sites e blogs têm sido uma ferramenta interessante na difusão de idéias. Vencer as barreiras do tempo e do espaço nos dá uma mobilidade e uma flexibilidade impressionantes para que conheçamos e troquemos figurinhas com pessoas de todas as partes do Brasil e do Mundo. Por falar no assunto, há cinco anos mantenho o blogwww.tabernaculo.blogspot.com

Como você vê o acordo ortográfico?

Alguém já disse que quem a faz a língua é o povo. Principalmente a língua falada. Mas eu vejo com bons olhos esse acordo, porque ainda assim cada país vai manter seu dialeto e suas individualidades, que mudam lentamente e ao sabor de múltiplos fatores.

O livro de poesia é um produto que tem mercado no Rio Grande do Norte?

Livros de poesia são produtos que não têm mercado em nenhum lugar do Brasil (risos). Lembro de ter visto uma entrevista de Drummond na qual ele dizia que poucos livros seus eram vendidos, comparados aos romances de outros autores nacionais. Mas o importante é que haja incentivos e iniciativas, por parte das editoras e do governo, para que os autores não tenham que ficar sempre bancados seus livros com recursos próprios. Para criar um mercado de livros primeiro é preciso criar leitores. É preciso mais incentivo à leitura nas escolas, oficinas de poesia, coisas desse tipo. Mas o mais importante não o mercado em si. É necessário estabelecer contato entre as pessoas e os autores/obras, para que, juntos, todos possam crescer.

Como a Academia Norte-riogranden de Letras poderia contribuir para o fortalecimento da poesia potiguar?

Qualquer instituição ligada diretamente ou indiretamente à educação e cultura pode contribuir realizando oficinas, eventos, feiras, concursos, palestras... são mil possibilidades, só é preciso dar vazão às idéias, através de recursos humanos e materiais.

Se você convidado para a ANL, você aceitaria ser um imortal?

É cedo pra falar nesse assunto, pois sou apenas um iniciante, poeta incipiente que não sabe se vai vingar. Flutua no ar a impressão de que todas as academias, começando pela ABL, são instituições enferrujadas e "enferrujantes", mas tudo depende de quem está lá à frente. Essas academias podem sim ter um papel interessante na formação de uma sociedade que valorize mais a literatura.

O que move um poeta?

Depende do momento. Uma indignação, uma beleza. O desejo de condensar a história do seu povo, a ânsia de pontencializar um ato importante que ninguém viu.

Que instrumentos ou assuntos podem virar objeto de um poema?


O importante é como se faz, como se escreve. Qualquer coisa pode entrar num poema, desde que tenha sua sonoridade, sua harmonia, sua sintonia e, principalmente, contribua inesperadamente para o objetivo a que se está proposto, seja qual for.

O sertão inspira a fazer versos?

Uma resposta em prosa para uma pergunta em versos: "Currais Novos amanheceu sitiada. Estamos sitiados. Uma luz de instabilidade estalou sobre as velhas cerâmicas da praça central, enquanto crianças corriam amanhecidas na neblina incomum que pairava sob a cor mulata das ruas de barro. A cada hora que passava mais crianças apareceram e se pareciam umas com as outras. A cada lampejo de olhar estupefato dos cidadãos da pequena vila perdida entre os gravetos acinzentados da caatinga ensanguentadamente vermelha, a população se renovava. Não havia tempo para sentir a situação como absurda. A prioridade era perder a conta. O essencial era absorver o canto infantil que emanava de uma multidão infante. Era assim. Nós éramos essas crianças. Depois que anoiteceu e voltou a amanhecer, a luz que amarelo queimava os casebres noticiou apenas a paisagem deserta. Das águas agridoces do açude dourado às marcas indeléveis deixadas pelas sentadas de cócoras do nossos índios tapuias, perdemos a noção de tempo e espaço. Desconquistamos a possibilidade de zoar coisas boas pelas veredas quentes que circundam nossa atmosfera sertânica e preenchida de traços culturais que talvez remontem a outras paragens além-açude, além-mar, além-imaginação. Tudo o que nos rodeia, sejam desde xique-xiques, água de pote, pedregulhos, riachos correntosos a amigos de sangue, amanheceres em sítios, sentimentos de sol, alegrias de repartição e partilha, tudo que nos envolve nos pode servir de instrumentos afinados prontos a colorir um sentimento que nos faça sentir enraizadamente homens que em meio a adversidades climáticas e econômicas prodigiosamente armadas por forças contrárias à nossa essência simples e inocentemente experienciante, possam garantir que não se desvanecerá a chama oculta acesa pelos homens e mulheres que primeiro pisaram essa terra inóspita, mas que é onde provisoriamente fizemos rancho e nos fizemos parte dessa paisagem sertaneja tão rica em detalhes e tão profunda na sua história deresistência a toda forma de baque arquitetada contra nós. Nós, sertanejos, certamente devemos continuar a nossa descoberta, pois não sabemos um sexto do que somos, de onde viemos, para onde seguimos. Não sabemos. Mas sentimos o fogo da vontade queimar em grandes labaredas que nos instigam ao movimento. Em direção aos ecos da caatinga. Em direção aos gritos noturnos que provém das mais recônditas estradas de barro e das mais pequenas moradas escondidas nos recantos desta terra seridoense. Em direção a nós mesmos. Vamos à descoberta".

Qual o conselho você daria para um jovem que quer ser poeta?

Leia muitos poetas, romancistas e contistas e as instruções de Maiakóvski. Vá escrevendo e mostrando ao mundo. O resto é sequência.

Domingo, Fevereiro 01, 2009


o que se pode dizer

quando a noite envolve em seus panos negros
toda a força do grito dos desvalidos?

a quem vender a canção,
quando nem o alimento do corpo é possível?

a quem entregar duas perguntas
enroladas em mantos de sangue,
sem saber se a resposta
acenderá suas luzes na madrugada crua?

Wescley J. Gama


"As Três Marias" - 2002
Quadro de Dorian Gray Caldas (NATAL/RN)

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